O Brasil vai participar diretamente da construção do maior telescópio já feito pela humanidade, o ELT, que está sendo montado no deserto do Atacama, no Chile. O país integra o grupo internacional que assinou o acordo para desenvolver o MOSAIC, um dos instrumentos que dará ao telescópio a capacidade de enxergar muito mais longe do que hoje.
A contribuição brasileira será na parte mais sensível do MOSAIC: o núcleo mecânico que sustenta o instrumento. Ele precisa manter todas as peças firmes e estáveis enquanto o telescópio observa o céu. Essa estrutura pesa cerca de 25 toneladas e não pode se mover mais do que um fio de cabelo dividido em mil partes, é esse nível de precisão que permite registrar objetos muito distantes.
Esse núcleo inclui a base do instrumento, o mecanismo que acompanha a rotação da Terra e os suportes para componentes ópticos e de calibração. Toda essa engenharia será desenvolvida por equipes do IAG/USP e do Laboratório Nacional de Astrofísica, com financiamento da FAPESP.
O MOSAIC é importante porque permite observar mais de 200 alvos ao mesmo tempo. Ele divide a luz em diferentes faixas, como a visível e a infravermelha, o que ajuda a identificar elementos, medir movimentos e entender como o Universo foi se formando ao longo de bilhões de anos.
Com o ELT, será possível observar objetos muito mais fracos do que os atuais telescópios conseguem. Hoje, o limite é a chamada magnitude 17; com o novo equipamento, esse alcance sobe para magnitude 24. Isso significa ver galáxias extremamente distantes e estrelas quase invisíveis.
A previsão é que o ELT faça suas primeiras observações no fim desta década. O MOSAIC deve entrar em operação entre 2032 e 2035 e ser concluído por volta de 2039.
Com essa participação, o Brasil se coloca entre os países que desenvolvem tecnologia de ponta para grandes observatórios. E garante presença em um dos projetos mais avançados da astronomia mundial.

