Quase metade dos ambientes aquáticos do mundo está tomada por lixo, aponta levantamento
Síntese global feita por pesquisadores da Unifesp revela avanço contínuo da poluição e alerta para riscos ambientais e sociais associados ao acúmulo de resíduos
Foto: Ilustrativa
Quase 46% dos ambientes aquáticos do planeta estão classificados como sujos ou extremamente sujos. O dado integra uma análise que reuniu mais de 6 mil registros de contaminação em rios, praias, estuários e manguezais ao longo da última década.
O estudo, conduzido pelo Instituto do Mar da Unifesp, utilizou o Clean-Coast Index, uma métrica internacional aplicada para medir a densidade de resíduos sólidos em áreas costeiras. Os resultados mostram que a presença de lixo deixou de ser um fenômeno localizado e passou a compor um cenário global de degradação.
Apesar das diferenças culturais e econômicas entre os países avaliados, a composição do lixo é surpreendentemente parecida. Plásticos e bitucas de cigarro representam cerca de 80% dos resíduos encontrados, evidenciando o peso dos descartes cotidianos na poluição de larga escala.
O Brasil surge como o país com maior número de registros monitorados, mas com resultados preocupantes. Cerca de 30% dos ambientes costeiros avaliados foram classificados como sujos ou extremamente sujos, incluindo os manguezais de Santos, apontados entre os pontos mais contaminados do mundo.
A pesquisa também analisou 445 áreas protegidas em 52 países e identificou redução significativa na contaminação onde há proteção ambiental. Mesmo assim, quase um terço dessas áreas apresenta acúmulo de resíduos, indicando que a pressão do entorno segue ultrapassando as fronteiras formais de conservação.
Esse padrão fica evidente no chamado “efeito de borda”. Os pesquisadores observaram que o lixo tende a se concentrar nos limites das unidades de conservação, influenciado por turismo, urbanização e pelo transporte de resíduos por rios e correntes marinhas.
O estudo ainda cruzou dados ambientais com indicadores socioeconômicos. Em regiões não protegidas, a contaminação cresce nas fases iniciais de desenvolvimento e tende a cair conforme a infraestrutura melhora. Dentro das áreas protegidas, porém, o avanço econômico tem aumentado a presença de resíduos, sinalizando falhas na gestão e na fiscalização.






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