O número de pessoas com deficiência (PcDs) no ensino superior brasileiro quase triplicou nos últimos dez anos, segundo dados do Censo da Educação Superior. Apesar do crescimento, esse grupo ainda representa menos de 1% do total de estudantes universitários, proporção considerada baixa quando comparada à participação das PcDs na população brasileira.
Segundo os dados analisados com base no Censo da Educação Superior mostram que, em 2013, apenas 10.435 estudantes com deficiência ingressaram na graduação. Em 2023, esse número saltou para 39.146, segundo análise do cientista de dados Giscard Stephanou.
O crescimento também foi observado entre os que concluem seus cursos: de 3.795 em 2013 para 12.659 em 2023.
Mesmo assim, PcDs ainda têm uma presença muito baixa no ensino superior: os ingressantes correspondem a 0,7% e os concluintes a 0,76% do total — números muito aquém dos cerca de 9% que essa população representa em todo o país, conforme dados da Pnad 2022 do IBGE.
Especialistas apontam que a Lei de Cotas, em vigor desde 2016, contribuiu para esse crescimento ao reservar vagas nas universidades públicas para PcDs com base na proporção indicada pelo censo demográfico.
Entretanto, os números mostram que o acesso ainda não se traduz em inclusão plena. Em programas de pós-graduação como mestrado e doutorado, também houve aumento nos últimos anos: 222% no número de matriculados e 379% no número de concluintes, de acordo com dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

