Eleito no último domingo (08), o novo presidente de Portugal, António José Seguro, assume o cargo em meio a um cenário de instabilidade política interna e de aumento das tensões sociais — contexto que afeta diretamente as comunidades imigrantes, especialmente os brasileiros, que somam mais de meio milhão de pessoas no país.
Ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), Seguro venceu o segundo turno da eleição presidencial com 66,8% dos votos, contra 33,2% do candidato André Ventura, líder do partido de direita radical Chega. A disputa foi marcada pelo fortalecimento de discursos hostis à imigração, que têm gerado apreensão entre estrangeiros residentes em Portugal.
A campanha de Ventura se destacou por ataques a minorias, como a comunidade cigana, críticas às instituições democráticas e defesa de uma agenda anti-imigração. Apesar da derrota, o desempenho consolidou o Chega como uma força política relevante, aumentando as incertezas sobre o futuro das políticas migratórias e do ambiente social no país — um ponto sensível para brasileiros que vivem, trabalham ou estudam em território português.
Considerado um nome da ala centrista da esquerda, António José Seguro recebeu apoio formal do Partido Socialista apenas na reta final da campanha. No segundo turno, sua candidatura passou a contar também com o respaldo de lideranças da direita e da centro-direita, que se uniram à centro-esquerda em uma tentativa de conter o avanço da extrema direita e preservar a estabilidade democrática.
Esse movimento de união ficou evidente no resultado das urnas. Seguro praticamente dobrou sua votação no segundo turno, alcançando 3,48 milhões de votos — o maior número já registrado por um presidente eleito em Portugal. Para analistas, o resultado sinaliza uma preferência do eleitorado por discursos moderados, o que traz um alívio cauteloso para as comunidades imigrantes.
António José Seguro tomará posse em março e encontrará um sistema político mais fragmentado do que há uma década, quando a disputa se concentrava basicamente entre PS e PSD. No regime semipresidencialista português, o presidente não governa diretamente, mas exerce um papel decisivo como moderador do sistema, com poderes para vetar leis, dar posse ao primeiro-ministro e, em situações extremas, dissolver o Parlamento.

