O novo mecanismo de combate a fraudes e golpes no Pix passa a ser obrigatório para todas as instituições financeiras a partir desta segunda-feira (2).
De acordo com o Banco Central, o MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução) amplia a capacidade de rastreamento do dinheiro transferido, permitindo acompanhar o caminho dos recursos e compartilhar informações entre os bancos envolvidos na transação. A atualização possibilita o bloqueio de valores em contas intermediárias e a devolução do dinheiro à vítima em até 11 dias após a contestação.
Em nota, a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) informou que, por determinação regulatória, todos os participantes do sistema Pix devem seguir as regras do MED 2.0. Com a nova funcionalidade, o rastreamento passa a abranger múltiplas contas, aumentando as chances de recuperação dos valores.
Para que o bloqueio e a devolução sejam mais eficazes, o cliente deve acionar o banco imediatamente após identificar uma fraude, golpe ou transação em duplicidade. A contestação é feita diretamente pelo aplicativo da instituição financeira, por meio de um botão específico, sem necessidade de contato com atendentes.
Após a solicitação, os bancos envolvidos têm até sete dias para analisar o caso. Caso fique comprovada a fraude, o valor poderá ser devolvido à conta da vítima em até 11 dias.
Criado em 2021, o MED é um sistema de segurança voltado à devolução de recursos em situações de fraude, golpe ou coerção. A versão 2.0 amplia o alcance do mecanismo e fortalece a atuação das instituições financeiras nesses casos.
Como funciona o MED
- A vítima aciona o botão de contestação no aplicativo do banco ao identificar uma transação suspeita
- A informação é encaminhada ao banco do recebedor, que deve bloquear os recursos na conta indicada
- Após o bloqueio, os bancos têm até sete dias para analisar a contestação
- Confirmada a fraude, o valor é devolvido diretamente à conta da vítima
- O prazo máximo para devolução é de até 11 dias
O Banco Central reforça que o mecanismo não se aplica a desacordos comerciais, arrependimentos ou erros no envio do Pix, como digitação incorreta da chave. Documentos como boletim de ocorrência, prints e outras provas só poderão ser exigidos após a abertura do MED e poderão ser anexados para auxiliar na análise.
Números das devoluções
Nos últimos quatro anos, o Pix já acumulou mais de R$ 1,5 bilhão em devoluções relacionadas a fraudes, golpes, erros ou coerção. Em 2025, somente nos primeiros sete meses do ano, foram restituídos R$ 377,4 milhões, sem considerar devoluções parciais. Já em 2024, o valor devolvido chegou a R$ 561,5 milhões.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

