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Jovem com doença rara passa em Direito na UFPR e luta pela inclusão de PCD’s

As limitações físicas nunca foram suficientes para conter os sonhos de Charleston Júnior, de 21 anos. Diagnosticado com Distrofia Muscular de Duchenne, o jovem acaba de conquistar uma vaga no curso de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e já projeta o futuro: usar a profissão para ajudar pessoas a lutarem por seus direitos.

Charleston começou a apresentar os primeiros sinais da doença ainda na infância, entre os 5 e 6 anos de idade, com quedas frequentes, fraqueza muscular e dificuldade para correr e subir escadas. A condição provoca a perda progressiva da força muscular e, aos 10 anos, ele perdeu a capacidade de andar, passando a utilizar cadeira de rodas.

A escolha pelo Direito, no entanto, não foi imediata. Após concluir o Ensino Médio Técnico, Charleston ingressou no curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, no Instituto Federal do Paraná (IFPR).

Em julho de 2024, porém, a progressão da doença o levou a passar 22 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) — um episódio que marcou profundamente sua trajetória e provocou uma reflexão sobre o próprio futuro.

A decisão de mudar de rumo veio inspirada por um exemplo dentro de casa. A mãe, Alessandra Mara Rodrigues, é pedagoga, ex-professora da rede municipal de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, e também advogada.

Ao enfrentar ao lado do filho as dificuldades impostas pela deficiência, pela dependência de terceiros e pela busca constante por dignidade e acesso a tratamentos, ela encontrou no Direito uma ferramenta de transformação.

Ao vivenciar de perto as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência e a ausência de políticas públicas eficazes, Charleston decidiu seguir os passos da mãe, com o objetivo de contribuir para um mundo mais justo e com equidade social.

Dias após a divulgação do resultado do vestibular, Charleston visitou, acompanhado da mãe, o prédio histórico da UFPR, onde funciona o curso de Direito. A visita teve como objetivo conhecer os espaços, avaliar as condições de locomoção e planejar as adaptações e o suporte necessários para garantir conforto, acessibilidade e permanência do estudante na universidade.

Segundo Wagner Bitencourt, coordenador de acessibilidade da UFPR, esse tipo de acompanhamento faz parte de um protocolo institucional que reforça a importância de políticas voltadas à permanência de estudantes com deficiência no ensino superior. No Vestibular 2026, 54 pessoas com deficiência foram aprovadas na universidade.

Foto: RPC

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