Trinta e cinco especialistas de vários países divulgaram um documento afirmando que camarões, lagostas e caranguejos têm grande chance de sentir dor e desconforto. A conclusão é baseada em novas pesquisas que mostram que esses animais reagem a estímulos de forma mais complexa do que se pensava.
Durante muitos anos, acreditou-se que crustáceos tinham um sistema nervoso simples e, por isso, não sofreriam. Essa ideia ajudou a manter práticas comuns, como cozinhar lagostas vivas, sem grandes questionamentos sobre o impacto dessas ações.
As evidências mais recentes apontam outra realidade. Estudos mostram que crustáceos possuem receptores específicos para dor, fazem movimentos de autocuidado quando machucados e têm reações diferentes quando são anestesiados, sinais de que podem, de fato, experimentar sofrimento.
Pesquisas também indicam que esses animais aprendem, memorizam situações negativas e reconhecem outros indivíduos. Alguns trabalhos sugerem até comportamentos que lembram “personalidades”, mostrando que eles são mais complexos do que parecem.
O tema ganha importância porque esses animais estão entre os mais abatidos no mundo. Estima-se que até 76 trilhões de camarões sejam mortos todos os anos, considerando pesca e criação, e mesmo assim eles quase não aparecem em políticas de bem-estar animal.
Alguns países já começaram a mudar esse cenário. Em 2021, o Reino Unido reconheceu legalmente que crustáceos e cefalópodes podem sentir dor, após analisar mais de 300 estudos. Pesquisas recentes reforçam essa ideia ao mostrar atividade cerebral em caranguejos expostos a substâncias irritantes.
Apesar de ainda existirem dúvidas, o número de evidências tem crescido rapidamente. Para especialistas, entender como esses animais percebem o ambiente é essencial para atualizar práticas de criação e abate e evitar sofrimento desnecessário.

