Pela primeira vez em seis anos, o Brasil registrou aumento no número de nascimentos. Em 2025, foram 2,51 milhões de bebês, alta de 2,3% em relação ao ano anterior. O avanço interrompe uma sequência de quedas e reacende o debate sobre o futuro demográfico do país.
Analistas classificam o movimento como um “efeito compensação”. Durante a pandemia de Covid-19 e o período mais agudo da crise econômica, muitos casais adiaram planos de ter filhos. Com a melhora gradual do cenário sanitário e maior estabilidade financeira, parte desses projetos saiu do papel.
Apesar do respiro, especialistas alertam que o crescimento não representa uma reversão estrutural da tendência de queda da fecundidade no país. A taxa de reposição chegou a 1,7 nascimento por morte em 2025, mas as projeções de longo prazo indicam que a população brasileira deve começar a encolher entre 2039 e 2042. A expectativa é que a taxa fique abaixo de 1,0 nas próximas décadas, o que significa menos nascimentos do que o necessário para manter o tamanho da população estável.
A quantidade de nascimentos influencia diretamente o ritmo de envelhecimento da população. Quando nascem mais crianças, o país tende a ter, cerca de 18 anos depois, um contingente maior de jovens ingressando no mercado de trabalho. Por outro lado, períodos prolongados de baixa natalidade aceleram o envelhecimento populacional, pressionando sistemas de previdência, saúde e assistência social.

