Uma história incomum, delicada e profundamente humana tem emocionado visitantes da Smithsonian Institution, em Washington (EUA). O antropólogo norte-americano Grover Krantz (1931–2002), conhecido por seu trabalho acadêmico, humor irreverente e personalidade excêntrica, deixou um pedido inusitado ao doar seu corpo à ciência: ele queria que seu esqueleto fosse exibido ao lado de seu fiel companheiro, o cão Clyde. O desejo foi atendido.
Após sua morte, o Smithsonian preparou uma montagem inédita: os ossos de Krantz e de seu cão foram articulados juntos, posicionados lado a lado, como se continuassem compartilhando a mesma caminhada — agora eterna. A peça integra uma mostra sobre doação científica e os vínculos afetivos que atravessam a vida e, às vezes, ultrapassam a própria morte.
Krantz, professor respeitado e figura carismática, costumava brincar que “não queria ficar sozinho depois de morrer”. Ao longo da vida, manteve cães da raça Irish Wolfhound e tinha por eles uma devoção rara. Clyde, em especial, era considerado seu parceiro inseparável.
A homenagem criada pelo museu acabou se tornando um dos pontos mais tocantes da exposição. Visitantes se surpreendem com a naturalidade do pedido e com o simbolismo do gesto: amizade, lealdade e companheirismo que sobrevivem ao tempo.
A história ganhou repercussão mundial após ser detalhada pela Smithsonian Magazine, que ressaltou como o antropólogo via a morte com a mesma ironia e curiosidade científica que guiou toda a sua carreira. Doar o corpo para fins educacionais foi, para ele, uma continuação do trabalho como professor — e levar Clyde consigo foi sua forma de eternizar a parceria mais importante de sua vida.
Mais do que uma curiosidade, o caso de Grover Krantz provoca reflexões sobre vínculo emocional, memória e o legado que deixamos. Para muitos visitantes, a imagem dos dois esqueletos lado a lado fala mais de vida do que de morte.

