Quando o Natal se aproxima, um aroma doce invade supermercados, padarias e lares brasileiros: o do panetone. Mas poucos sabem que esse símbolo natalino tem uma história rica, cercada de lendas, disputas e muita tradição — e que sua jornada até o Brasil é quase tão fascinante quanto seu sabor.
A origem do panetone remonta à cidade de Milão, no norte da Itália, por volta do século XV. A versão mais famosa da lenda conta que o doce foi criado por Toni, um ajudante de cozinha que, por acidente, deixou queimar um banquete na véspera de Natal. Para reparar o erro, juntou os ingredientes que tinha à mão — farinha, ovos, manteiga, açúcar e frutas cristalizadas — e improvisou um pão doce que conquistou a todos. Assim teria nascido o “pan de Toni”, que com o tempo virou panettone.
Outra tradição atribui a criação a um jovem nobre apaixonado, que teria se infiltrado em uma padaria para criar um pão especial para a família da moça que desejava conquistar.
Independentemente da versão, o fato é que, já no século XVI, o panetone era consumido em Milão como um pão festivo, reservado para ocasiões especiais.
O formato característico — alto, arredondado e aerado — só ganhou fama mais tarde, quando padeiros italianos aprimoraram a técnica de fermentação natural longa, responsável pela textura macia e cheia de alvéolos.
Com a Revolução Industrial, no século XIX, o panetone começou a ser produzido em maior escala e deixou de ser exclusividade da elite milanesa.
A receita tradicional é composta por massa amanteigada, gemas, uvas-passas e frutas cristalizadas, mas a base é tão versátil que permitiu dezenas de adaptações ao longo dos séculos.
A chegada ao Brasil e a paixão nacional
O panetone desembarcou no Brasil com os imigrantes italianos no final do século XIX e início do XX, especialmente em São Paulo — onde a colônia italiana era numerosa. Mas foi apenas na década de 1940 que o doce se popularizou de vez, quando empresas nacionais começaram a produzir panetones industrializados, tornando o produto mais acessível.
Hoje, o Brasil é um dos maiores consumidores de panetone do mundo. O doce é tão querido que já não se limita ao Natal: muitos consumidores compram panetones e chocotones durante todo o ano.
Da tradição às releituras gourmet
A receita original deu origem a uma infinidade de variações que caíram no gosto brasileiro:
- Chocotone, recheado com gotas de chocolate;
- Trufados, com cremes de avelã, chocolate, doce de leite e pistache;
- Veganos e sem glúten, para atender novos públicos;
- Salgados, com queijos, embutidos e até versões inspiradas em receitas típicas regionais.
As padarias artesanais e confeitarias gourmet também impulsionaram uma verdadeira onda de criatividade, fazendo do panetone um produto disputado, com filas e encomendas esgotadas semanas antes do Natal.
Um doce que atravessa gerações
Mais do que um alimento, o panetone se tornou símbolo afetivo. Para muitas famílias, abrir a embalagem perfumada e dividir o pão à mesa é um ritual que marca o início das festas de fim de ano.
Seja com frutas, chocolate, creme ou versões modernas, o panetone mantém seu lugar de destaque graças à combinação perfeita entre tradição, sabor e memória afetiva.

